A ENDEMIA DA FOME
A ENDEMIA DA FOME
o meu espírito...
humano que é imperfeito
com e a fome
deixa-me inquieto
e
cedo muito cedo
... tudo no cume
cedo muito cedo
a fome mata
alma frágil
mata ainda fácil
alma não assistida
meu espírito chora
meu espírito implora?
Ajuda, papá...
fome muita
comida nada
dinheiro nada
fome muita.
a sexta básica
não chega até sexta-feira
na própria sexta básica
falta a comida básica
tudo tudo caro
tudo tudo difícil
tudo tudo duro
Sofrer fácil
morrer fácil
ajuda, papá!
Ajuda, papá...
minha alma está fora do lugar
só quere se ruar...
os meus amigos deram-se ao assalto
nas aldeias, na rua, no asfalto
roubar
roubar
roubar tudo
até corpos enterrados
até animais semi abandonados...
não sei
algumas amigas abandonaram as batas
a prostituição ganhou novos membros
não sei...
os vícios estão a pipocar
estão a roubar as almas
Ajuda, papá...
papá de lá...
papá daqui...
ajuda só...
a minha alma está magra...
magra, magra, magra
ficou tão magra...
que já não se veste
toda roupa ficou grande
a fome ficou uma endemia
estou a ver fumo
não tenho como.
Ai minha alma
quem me socorrerá...
quem me protegerá?
quase fiquei sem calma
é...
grito, falo...
repito...
uma alma com fome
não dorme
a iniquidade maquina fácil.
OUTUBRO DE 2000.23.
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