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A ENDEMIA DA FOME

A ENDEMIA DA FOME o meu espírito... humano que é imperfeito com e a fome deixa-me inquieto e cedo muito cedo ... tudo no cume cedo muito cedo a fome mata alma frágil mata ainda fácil alma não assistida meu espírito chora meu espírito implora? Ajuda, papá... fome muita comida nada dinheiro nada fome muita. a sexta básica não chega até sexta-feira na própria sexta básica falta a comida básica tudo tudo caro tudo tudo difícil tudo tudo duro Sofrer fácil morrer fácil ajuda, papá! Ajuda, papá... minha alma está fora do lugar só quere se ruar... os meus amigos deram-se ao assalto nas aldeias, na rua, no asfalto roubar roubar roubar tudo até corpos enterrados até animais semi abandonados... não sei algumas amigas abandonaram as batas a prostituição ganhou novos membros não sei... os vícios estão a pipocar estão a roubar as almas Ajuda, papá... papá de lá... papá daqui... ajuda só... a minha alma está magra... magra, magra, magra ficou t...

O futuro

O futuro Viver e confiar no futuro é viver de esperança. é viver como criança que tem o amanhã como dia perfeito onde a realidade imaginaria faz-se factual O futuro é um desejo um sonho que nunca chega Preparamo-nos para tal mas quase nunca se faz pontual Cada etapa da vida tem a sua própria lida com seus sonhos com os seus punhos dá-se no duro para colher no futuro O futuro não é tempo o futuro não é um lugar é viver no hoje o amanhã é viver o seu sonho é traduzir os detalhes de ontem num hoje profundo POETA NUNCA VISTO SETEMBRO DE 2000.23

Eu sou a poesia

Já não faço poesia perdi a minha caneta fiquei só só e só Aquela caderneta ora verde, ora preta ficou viúva nunca mais viu a uva A poesia era uma parte de mim era a pérola do meu jardim aumentava o meu brilho florescia o meu olho Já não faço poesia eu sou a tal poesia o mundo de alegria quem me viu, já sorriu. Setembro de 2000.23

Mãe Amazônia

 Mãe Amazônia Ó mãe Amazônia a tua beleza é encanto inspira o meu canto Que me enche de alegria Ó mãe Amazônia A tua fauna é vida a tua flora é riqueza que gera o perfume do mundo Ó mãe Amazônia és tão querida tanto quanto amada és a epifania do belo Ó mãe Amazônia rica em diversidades naturais uma mãe que acolhe e recolhe as realidades culturais Ó mãe Amazônia és a mãe do povo a mãe das águas e das aves a mãe dos ares e das flores Ó  mãe Amazônia

Zé Ninguém

Zé ninguém Sou um Zé ninguém um homem sem voz nem vez ando de norte a sul de uma ponta a outra ninguém me olha não tenho alguém que me acolha ando, ando e ando sem eira sem beira vivo lá no fundo nos confins do mundo terra sem nome com dias de fome Sou um Zé ninguém não tenho paradeiro nem aqui, nem no estrangeiro sou um ninguém Os que têm casas nas cidades são os mesmos que têm nas centralidades e eu aqui na banda sempre com nada. nasci numa cobata feita de manteiga de pó perto da Libata e da Kahata e não tenho orgulho de exibir Cresci... Aqui mesmo onde nasci e a partir deste fundo vejo os prédios como algo doutro mundo um pequeno céu e as centralidades como paraíso Até quando... até quando? Vejo as trevas a me perseguir aonde poderei fugir? só a miséria e a malária fazem-me companhia... Longe de hospitais e a me curar com os vegetais Ando acabrunhado a minha alma está inconsolável sinto-me um abandonado de humano tenho apenas a vida e sobr...

Noite de sol

  Era uma hora estranha o sol sentado na montanha Já tinha se despedido Continua sentado A fornecer luz sem raios